Sentamos, eu e Catarina, lado a lado numa lanchonete, cada um com seu sanduíche. Aí mostrei o meu hamburgão pra ela e disse:

– Olha, Cat, isso aqui no meio é uma pimenta. É gostosa, mas arde …!

– Arde pra caralho?

Silêncio. Congelei olhando pra frente, pro nada, pro vazio. Parecia que todo o shopping tinha paralisado também.

Calmamente, fui me virando para a pequena de seis anos de idade pra perguntar de onde saíra aquele vocabulário. Ela também estava imóvel, olhando pro mesmo nada que eu olhara segundos antes. Perguntei:

– Ardendo PRA QUÊ?

– Ardendo pra caramba…

Aí começamos a rir, os dois. Ela sabia que falara algo que não devia. E sabia que eu sabia. Depois das risadas nos concentramos novamente nos sanduíches. Aí fui perguntar onde ela tinha ouvido aquela palavra:

– Você ouviu isso na escola, né? Com seus amiguinhos, não foi?

– Isso o quê? Eu só disse “caramba”.

– Tá bom, então. Já percebi que você entendeu.

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