Tempo de lamento

Quando chega ao fim um podcast, lamentamos. É um projeto que termina, por mil razões que nem se podem enumerar aqui. É triste. Mas sabemos que no fundo a ideia ainda está ali, latente. É quase como um período de descanso, uma pausa. Por mais que nunca volte, a possibilidade de retorno nos conforta.
Quando um podcaster chega ao fim é diferente. A ideia não está mais latente. Não é mais uma pausa. Não há a possibilidade de retorno.
Não sei das circunstancias de sua morte, se deixa filhos. Não fui atrás dos detalhes. Sei o que li e sei o que senti ao saber da noticia. É curioso isso, de se importar com alguém que não se conhece fisicamente. O podcast tem isso de nos aproximar, nos unir pela afinidade. E é então que nos sentimos amigos, companheiros, solidários.

Dias atrás, durante a gravação de um podcast, cheguei a achar que estava exagerando em minhas angústias com o tempo e de como ele é carrasco ao ditar o ritmo de nossas vidas modernas. Cheguei a pensar que eu talvez estivesse supervalorizando o tempo e sua tirania. Mas coisas assim, de surpresa, sem aviso, me levam novamente a pensar no tirano. No tempo que o Lucas ainda achava que tinha para os projetos que intentava realizar, nos planos que fazia para, sei lá, daqui a um ano. Um tempo que não existe. Que nunca existiu.

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2 Comentários

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2 Respostas para “Tempo de lamento

  1. Ale Polisel

    Pra nós ouvintes, o sentimento de amizade é o mesmo. E a dor da perda também. Que ele tenha uma passagem tranquila, e que a família e os amigos possam encontrar a serenidade em meio a tanta tristeza.

  2. É isso aí … Eu não conheço nenhum podcaster pessoalmente, sou apenas um ouvinte de tantos podcasts desse Brasil. Tenho todos como amigos do peito, já rir, já chorei, já feiquei bravo, e dei muitas, muitas boas e generosas gargalhadas com todos. O Podcasteiro, tantas vezes recomendando podcasts legais no Radiofobia, e as participações em outros podcasts. Ouvi hoje um deles, o Pó de Cash 34, que até teve meu e-mail lido. PUTZ Foi um choque, recebi a notícia como se um amigo tivesse falecido. Não teve lagrimas, apenas a tristeza de saber que alguém bom e legal se foi. A vida, aquela vadia (como disse o Dudu Sales), aprontou mais uma das suas. O tempo, o eterno carrasco, sempre estará aí, espreitando nossos caucanhares. Obrigado Lucas Amura. Descanse em paz.

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